Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 61 – “A Revolta” – Parte 2

Tenham uma ótima leitura!

 

Continuação…

 

- NO! NO! NO!Joseph grita em necessidade de negação, tentando convencer-se de que os seus planos não podem estar a ser manipulados por outros. – Ungrateful little bastards! – continua, ignorando não estar sozinho.

 

Quebrando os praguejos do inglês, Lucius atreve-se a tomá-los como claramente inúteis no momento.

 

- Evitando mais perdas de tempo… - começa, insultantemente quase tão majestoso quanto Morgan – Sugiro, com o maior respeito, que voltemos para casa e nos preparemos o mais rápido possível para sair daqui, vingar a traição das tuas, aparentemente, mais fiéis amigas, e evitar males maiores que os outros quatro insolentes podem criar contra nós!

 

André assiste a tudo, desde o início, quieto, calado, apenas pensando demasiado. Tendo eles deixado Alphonzo Stuart para trás, deverão voltar em breve certamente, e é preciso que alguém, como ele mesmo, se prepare e facilite a partir de dentro, a derrocada do mesmo império. André viu como é possível testar poderes maiores e desconhecidos apenas com a força da vontade e desejou tê-lo feito no mesmo instante. Mas o seu pensamento, silencioso, discreto, pacato como sempre, estava afinal a uma impressionante distância à frente do dos outros. Joseph precisa de acreditar que nem tudo está perdido. Alphonzo precisa de apoio. Os seis que partirão, agradecerão no retorno.

 

Joseph recompõe-se, com dificuldade, raiva transparecendo no seu rosto, na respiração acelerada, nas mãos em punho.

 

- Tens razão, jovem Lucius. – admite, algo ofendido, mas acreditando que isso o valorizará como líder. – E que traição tão grande foi essa afinal?! – questiona, autoritário. - Não que eu esteja a duvidar das tuas palavras… Elas mesmas entregaram-se quando fugiram… Mas…

 

- Elas só anteciparam os planos escritos nessa carta… - replica Lucius, apontando para o papel no chão, com desprezo. – Pretendiam sair daqui, combinar um encontro com as duas conspiradoras malucas de sempre e quem quer que tenham mobilizado, e ajudá-las.

 

Uma breve agitação entre o grupo faz-se sentir ao som das palavras cuspidas de Lucius, arrogante.

 

- Então apressemo-nos! – intervém Joseph com uma nova urgência, antes que Lucius tente assumir novamente o comando.

 

Uma raiva infinita transparece nos seus passos apressados, punhos cerrados e olhar sombrio. Todos abrem caminho para que Joseph passe, evitando interferir no seu caminho.

 

– Tragam o prisioneiro! – ordena, referindo-se a Alphonzo Stuart. – Com o poder dele… - começa, parando por instantes para encarar o grupo. – Um poder fortificado pela mágoa da saudade, raiva, tristeza, amor… - esclarece, apreciando cada factor com um sorriso forçado. – Eles vão tornar-se ainda mais fortes!

 

- Mas ele tem vontade própria, não vai deixar que usem o seu poder, e pode acabar por destruir a barreira de vez… - intervém André a gaguejar, arrependendo-se de ter falado no exacto momento.

 

Todos o analisam com olhares de ameaça e desprezo. Joseph retoma as suas passadas largas, furiosas, mas em ao vampiro, que se encontrava discreto atrás de todos.

 

- Ele não sabe controlar o próprio poder! Não faz ideia sobre como e para quê, o usar! – esclarece, altivo e em desdém. - Os outros vão canalizá-lo e servir-se do poder dele, a seu favor! – continua, admirando o olhar inocente e assustado de uma das suas mais recentes aquisições. – Ou, a nosso favor! – corrige, num sorriso. - Simples! – conclui, mesquinho, gozando-o, como se acabasse de explicar a alguém muito estúpido, a coisa mais fácil do mundo.

 

O que ele não sabe, ou simplesmente tende em ignorar, é que na realidade André sempre foi uma inteligência nata, escondida pela modéstia e alguma timidez, e que acaba de perceber que a razão por ser tão subestimado por todos, é o medo que tem dos superiores, o medo que lhe foi imposto cruelmente desde a infância, e mantido mais tarde por uma carreira promissora pouco valorizada pelos colegas ditos guerreiros.

 

André está prestes a libertar-se de si mesmo. Vê Joseph afastar-se, impunemente e vitorioso antes sequer que a verdadeira guerra tenha chegado, ignora que os outros o seguem e que deveria fazer o mesmo, mantendo-se perdido no pensamento enquanto o compara inevitavelmente a Raul Andrade. Também esse se achava superior, aclamava o fim dos vampiros e acabou na pior imagem da verdadeira hipocrisia, um monstro pior que os próprios que julgava.

 

Quando decide seguir o grupo, admitindo manter uma suposta submissão por fins maiores, já André tinha previsto o futuro de Joseph, reflectido no de Raul.

 

 

Atravessar foi mais fácil do que pensavam. Bastou vontade, uma dose de atitudes impulsivas e um espírito que de tão rebelde se revela livre de qualquer controlo desconhecido e temido.

 

O problema mesmo e agora é a agonia profunda que os tortura, uma reviravolta no estômago, uma sede desconhecida, a visão algo turva…

 

- O quê que está a acontecer!? – Jasmine implora a resposta, sentindo que vai perder os sentidos a qualquer momento.

 

- Vocês! – acusa Henrique num grito, apontando com severidade para Pilar e Martha, ignorando que ambas estão potencialmente a passar pelo mesma agonia. – Que lugar é este e o quê que está a acontecer? – exige, impondo-se, ainda que uma sensação de vómito o deixe incapaz de qualquer ataque.

 

- Estamos mais perto de Sintra do que pensas… - começa Pilar, ajoelhando-se no chão como quem se rende ao inevitável, enquanto pensa acalmar os ânimos com o que acaba de dizer…

 

Henrique não consegue ver bem, náuseas afectam-no de tal forma que a própria terra parece balançar à sua volta. Simplesmente, não dá para identificar o local onde está.

 

- E caso não te lembres! – intervém Martha, ofendida com a forma como ele as trata. – Atravessar implica assumir uma outra natureza! – relembra, também ela necessitando de se agarrar a alguma coisa estável.

 

Vampiros que se alimentam de vampiros. Pois… Talvez devam pensar em arranjar um nome mais simples para essa nova aterrorizante espécie que Joseph parece estar a conseguir criar. A ideia de bluff era demasiado conveniente para ser real.

 

- Seja lá o que for, não vou ficar aqui! – pragueja Brian, tropeçando nos próprios passos, enquanto se afasta o mais rápido que consegue.

 

 

Quando James adivinha o próximo passo daquele demónio que já imobilizou Beatriz e que, entretanto, atirou Isabel pelos ares com uma forma descomunal, enquanto esta tentava libertar a ex-líder, decide dar finalmente uso à arma que trouxe consigo durante a viagem até Sintra. Um punhal dourado, com uma impressionante lâmina de prata revela-se nas suas mãos. Achou que poderia precisar dele durante a viagem e, percebe agora, que o seu instinto estava a prepará-lo para a chegada. O vampiro, que parecia inconsciente ainda há alguns minutos, preparava-se para cravar os dentes no pescoço de Beatriz quando James o apunhalou pelas costas, aproveitando a distracção que a estranha sede por sangue de vampiro lhe causava.

 

- Boas noticias?! – propõe James, a adrenalina fazendo-o estremecer. – Este tipo acaba de morrer tal como qualquer um de nós…! – sorri, forçadamente.

 

- Más notícias?! – continua Beatriz, imitando-o com alivio, alegria e medo num conjunto aterrorizador, fazendo-a pensar o pior. – De onde veio este, virão mais! – termina.

 

- Dimitri. – conclui Isabel.

 

Pensamentos em sintonia, mais palavras não são necessárias para expressar o facto óbvio que acabou de se manifestar mesmo ali, à frente de todos.

 

- Criar vampiros que anseiam sangue de vampiros, parece-me um plano tão absurdo quanto perfeito para alguém que pretende acabar com a própria raça! – a voz de Mais Antigo ecoa até eles, vinda do outro lado do jardim.

 

No mesmo instante em que falou a alguns metros deles, Mais Antigo e Luna estavam já entre eles.

 

- Filha…! – Isabel abraça Luna instantaneamente, num carinho incondicional. – Desculpa… Eu… - gagueja, calculando que a jovem possa saber que ainda há poucos momentos a própria mãe era um demónio.

 

- Eu sei, mãe… - com um sorriso leve estampado no rosto, aceitando o abraço da mãe, Luna mostra que sabe mesmo tudo, e que não a julgará pelo que seja.

 

- Isabel, o que quer que tenha acontecido aqui… - intervém James, tentando esclarecer e acalmar a situação no que respeita a esse assunto. – Vamos esquecer, por agora! – sugere. - Está tudo bem! – garante, e volta-se para a ex-líder. - Está, não está?!

 

- Por agora… Sim! – aceita a vampira, tapando algo no seu braço esquerdo com a mão direita, de forma suspeita, como se não quisesse instalar preocupação.

 

 

- Renato! – chama Vasco, ainda antes de entrar. - Precisas de alguma coisa, por aqui?

 

Empenhado em conquistar a confiança e respeito de todos, mostrando-se sempre disponível, preocupado e prestável, Vasco chega ao Bloody Mary, ainda desconhecendo alguns dos novos problemas que a comunidade enfrenta, e despreparado para o que vê

 

- Oh, não…

 

O cenário com que Vasco se depara seria impossível de imaginar e prever. Renato estendido no chão, o seu pescoço desfeito e um coração seco deixando-se transformar em cinza. Uma figura estranha, em pé, demoníaca e poderosa, parecendo deliciar-se com alguma coisa, começa a voltar-se para encara-lo. Dimitri.

 

- Sabem porque resisti tanto à vossa tortura amadora?! Porque permaneci fiel aos meus, recusando-me sequer a tentar fugir? – questiona, impondo-se, fazendo o promissor líder recuar num medo inconsciente. – Porque um verdadeiro e fiel soldado sabe o que quer e espera pela oportunidade certa para atacar! – explica, num sorriso afiado e manchado de sangue. - Na verdade… - continua, corrigindo-se numa elegância mesquinha. – Eu estava só a empatar-vos! Percebi que podia ser muito mais útil ao Joseph aqui, roubando-vos tempo e assustando-vos sem controlo, matando-vos, enquanto enfrentam tão pateticamente o desconhecido.

 

 

Os humanos já têm o destino resolvido - alguns vampiros que, milagrosamente, conseguem trabalhar num hospital, estão a chegar. Quanto às cinzas do vampiro que atacou Beatriz, usá-las-ão como mensagem contra Joseph. Entretanto, os cinco decidem seguir para a cripta, onde acreditam que Dimitri pode estar já a tornar-se um problema.

 

No início do percurso de regresso, Luna explica com poucos mas bons pormenores a sua experiência, garantindo que pode encontrar uma forma de se juntar aos Naturales, desproteger Joseph e encontrá-los. Estão com pressa, por decidem acelerar o passo ao estilo velocidade da luz.

 

- Impressionante! – comenta James, já observando o Bloody Mary.

 

- Só não faço ideia do que foi tão capaz de questionar o poder deles que os tornou, assim, vulneráveis a mim, que nem sei o que faço… - confessa Luna, referindo-se aos Naturales.

 

- Se essa razão que procuras não for mais um problema, o que importa?! – questiona Beatriz. – Ainda bem que assim foi!

 

- Agora que finalmente sabemos com o que estamos a lidar, podemos orquestrar um plano definitivo e pô-lo em prática. – continua Luna, verdadeiramente empolgada e ansiosa.

 

- A revolta está prestes começar! – ameaça Isabel, com uma imagem idealizada de Joseph Morgan no pensamento, ele caindo no desespero e na dor.

 

- Se é que já não começou! – corrige Beatriz, sempre sem tirar a mão direita do antebraço esquerdo, parando repentinamente para ouvir e sentir a confusão que vem do Bloody Mary.

 

 

Já estão a andar há alguns minutos, com dificuldade, cambaleando, tendo já desistido sequer de tentar correr. Falta-lhes o ar, as náuseas são insuportáveis e a sede intensa que sentem piora tudo. Recorrem à força uns dos outros para se manterem em pé, formando uma corrente.

 

A visão cada vez mais turva impede-os de reconhecer o local onde estão, e manchas de luz começam a ofuscar-lhes o caminho. Percebem que continuem entre a floresta, através sensações habituais de um local desabitado por qualquer ser que não animais e plantas, o silêncio, o cheiro da terra, das árvores, das flores. Isso deixa-os tranquilos e agitados simultaneamente, pois ali ninguém verá no que eles se tornaram, mas nesse caso, também ninguém os ajudará.

 

Talvez por ter sido o primeiro a desafiar a realidade, Henrique é também o primeiro a perder definitivamente as forças, caindo no chão num desmaio rápido e inevitável. Ainda conscientes, os companheiros tentam reanimá-lo, mas pouco a pouco, um a um, acabam na mesma situação. Os olhos fecham-se, o corpo cai em sofrimento e rende-se à força natural da biologia manipulada.

 

Continua…

 

[Boa Noite! Gostaram do que leram? Fiquem para ler e ver mais... :D Nova parte do VIDA de VAMP em breve, assim como MEMÓRIASdeVAMPIRO e Novos Episódios!

 

PS: - Desculpem as recentes demoras, mas espero que compreendam que tal como qualquer pessoa tenho problemas e responsabilidades. E então nós, os pobres que acabamos de fazer 18 e os pais não nos podem sustentar toda a vida... :D :P

 

Demoro a publicar porque sou uma perfecionista sem tempo... Mais uma vez desculpem...

 

Bjs <3 a autora]

 

Publicado por luaverm2e3temporada às 19:39
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*AGRADECIMENTOS

Deixo aqui um sincero e gigantesco OBRIGADO a todos os leitores que seguem fielmente a fanfic que escrevo sobre "Lua Vermelha". Obrigado também a todos aqueles que, por acaso, começaram a ler o blog e continuam até hoje. É também por vocês que continuo aqui. E a todos os que não acreditam no amor que tenho pelo que faço e que quase conseguiram fazer com que eu desistisse de tudo isto, tenho também algo a dizer: OBRIGADO PELA ATENÇÃO.

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Era uma vez um colégio cravado no coração da serra de Sintra. Entre mistérios e perigos, o regresso de uma antiga guerra e uma vida aparentemente normal de adolescentes, um vampiro com 186 anos apaixona-se por uma humana de 17, que apenas e só por acaso é filha do mais temido caçador de vampiros de sempre, "Jaguar". Ora! Este é só o excêntrico início de todos os problemas que farão a vida valer muito a pena! Deixas-te morder?...

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Todos os textos publicados neste blog são apenas uma sugestão de continuação da série de vampiros da SIC, "Lua Vermelha", ou forma de a recordar. No fundo, pretendo apenas homenagear a história, dando-lhe o seguimento que eu imagino para tal, sem qualquer intenção de plágio. Agradeço a preservação de direitos de autor! Afinal, isto é paixão minha mas dá trabalho, gente! ;)

*O BLOG

Este blog teve início em 2012 com uma sugestão de 2ªtemporada para Lua Vermelha, por Cláudia Silva. Entretanto, por gosto da autora e apoio dos leitores, chegámos à 3ªtemporada e ainda há espaço para posts de homenagem à série e aos atores, como "VIDA DE VAMP" e "VampAtual". Tudo o que foi publicado anteriormente continua online :D

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Gostaria de alertar todos os leitores/seguidores do blog para um respeito mútuo, entre todos, para comigo e com os criadores e atores de "Lua Vermelha". Infelizmente, comentários menos bons (isto é, cruéis e ofensivos!) já foram deixados na página, o que me levou à decisão de moderar os comentários, sendo que estes passam a estar à disposição de todos apenas com a minha permissão. Obrigado.

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