Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 38 – “À beira do tudo ou nada”

[Tenham uma BOA LEITURA :) ]

 

Continuação…

 

Pilar já viu que chegasse para se sentir intimidada. Mas insiste, teimosa consigo mesma, em esconder qualquer sinal de medo, ainda que, na verdade, esteja realmente a sentir-se temerosa, como raramente.

 

Esforça o seu tão natural sorriso sarcástico, enquanto avança mais um destemido passo até à bela ruiva. Tal esforço chega a parecer-lhe ridículo.

 

- Esse caso é… – começa Pilar, pausando para voltar a empenhar-se num sorriso – Bem mais complicado! – termina, lançando um olhar pouco respeitoso.

 

Luna não gosta nem um pouco desse olhar. Gosta ainda menos da resposta que recebeu.

 

Talvez por orgulho, ou desprezo, e num suspiro claramente desnecessário, a rapariga repete o mesmo gesto aterrador de há momentos atrás.

 

A vampira cai aos seus pés. Não está morta. Nenhum dos quatro está. Mas com a destemida Pilar rendida tragicamente àquele poder desconhecido, de que vale pensar positivamente? Nenhum dos restantes quatro acredita ter hipóteses. Apenas lhes resta sair dali antes que o pior aconteça.

 

Algo cruel, Luna sorri ao perceber que basta apenas mais um movimento seu para que aqueles intrusos se atirem num pranto, implorando por misericórdia. Não é preciso ser-se muito dotado para o entender. Esse sentimento de terror e incerteza está-lhes no olhar e na atitude. Nenhum dos quatro ousa cruzar o olhar com o de Luna. Nenhum deles ousa sequer mover-se, enquanto não chega o momento certo. Momento esse, em que fugirão dali.

 

Maquiavélica, a bela faz transparecer, acima do seu aspecto angelical, uma atitude diabólica. Fita-os um a um, com um olhar frio e mágico. A sua blusa branca rendada, acentua a figura angelical, contrastando com o ruivo vibrante. Mantém-se onde está, respeitando a distância. Essa postura enlouquece quem a teme.

 

- Isto tudo é só um aviso! – declara Luna, numa voz hipnotizante, lembrando as míticas histórias sobre as encantadoras vozes de sereias. – Espero que o entreguem! – finaliza, confiante numa postura altiva.

 

Estupidamente rendidos ao encanto e ao medo em simultâneo, os quatro viram o momento porque esperavam chegar. Por lealdade e honra, atrevem-se a hesitar, agarrando nos companheiros, tirando-os também dali. Algum alívio inexpressivo percorre-os quando não são atacados por isso. Num ápice, não estão nem perto dali.

 

Satisfeita, Luna traz de volta o seu olhar azul intenso e puro. Recompõe-se, não querendo exibir a quantidade de histeria e poder que a consomem no momento, através da adrenalina.

 

Beatriz aproxima-se da jovem, lentamente. Bastante compreensiva em relação ao comportamento da jovem, a vampira tenta não invadir o espaço que Luna necessita para se acalmar. Já bastante próxima, apoia a mão no ombro da rapariga, conseguindo uma troca de olhares sincera.

 

Por sua vez, Isabel não consegue disfarçar o medo que sente pela sua própria filha. O seu receio não é o mesmo que sentiam, há pouco, os vampiros de Joseph. Isabel não tem medo de Luna. Isabel tem medo por Luna. Tão poderosa, tão única. O possível descontrolo é previsto desde sempre, mas nunca desejado! Isabel deseja toda a calma que não tem.

 

- Era mesmo necessário deixá-los fugir? – questiona Vasco, tentando acabar com o silêncio existente.

 

Luna volta-se para os três finalmente. Tenta uma troca de olhares com mãe, pensando que isso a ajudará a perceber que continua a mesma Luna de sempre, mas Isabel evita-a por instantes.

 

- Nós não precisamos deles aqui! – responde a Vasco, respeitando o silêncio e quietude da mãe. – E assim eles passam a mensagem… - esclarece, baixando a voz gradualmente, a cada palavra, para que a ideia não se faça notar assim tanto.

 

O esforço de Luna foi em vão. Isabel ouviu perfeitamente e farta-se de continuar a fingir que não teme por ela, que está calma, que apoia aquela atitude.

 

- Que aviso? – Isabel exige saber, encarando-a com a sua autoridade preocupada de mãe.

 

Enquanto vê a mãe aproximar-se, fatal na opinião e certa de que não irá admitir o seu descontrolo, Luna acha-se nervosa. Sabe que o que acabou de fazer não é, nem nunca será, do agrado dos pais, mas tinha de o fazer! Por eles! Num gesto de compreensão e respeito, a jovem baixa o olhar, quando Isabel, já perto suficiente, a encara num frente-a-frente de mãe preocupada para filha. Para além disso, o gesto implica também uma maior facilidade em controlar-se, evitando o olhar ardente da mãe, esquivando-se de se sentir afectada por ele.

 

Sem resposta por parte de Luna, Isabel avança. – Estou seriamente preocupada contigo! – revela, como se Luna já não tivesse percebido. - Já te disse que não quero nestas confusões… - lembra, gesticulando para o espaço do confronto sem nunca deixar de tentar olhá-la nos olhos.

 

A adrenalina do momento ainda lhe percorre as veias. Luna respira fundo, controlando a confusão de poder que há dentro de si, mal compreendendo a razão da preocupação da sua mãe.

 

- Eu já te dei provas demais para perceberes que não sou eu quem corre perigo. – argumenta, sem levantar o olhar, mas conhecendo suficientemente a mãe para perceber que continuará a contrariar, de olhos fixos e inquietados em si. – Antes pelo contrário! – comenta, deixando escapar um risinho.

 

Vasco achou por bem, entretanto, deixá-las sozinhas. É óbvio que não irá intrometer-se na discussão. Mais preocupado com o estado de Pedro, regressa calmamente ao hotel. Ninguém repara na sua ausência.

 

Por sua vez, Beatriz não abandona o local. Está claro que alguém terá de acalmar os ânimos, caso uma discussão tão sincera quanto violenta faça uma aparição. Contudo, afasta-se de ambas. Observa-as cautelosa, perto que chegue para intervir e longe que baste para lhes dar espaço.

 

- É disso mesmo que eu tenho medo! – responde imediatamente Isabel, conseguindo a primeira troca de olhares com a filha, no momento. – Tenho medo por ti! Tenho medo no que a saudade, a raiva, o excesso de amor, talvez, te possam tornar! – continua, segurando lágrimas enquanto se expressa.

 

- Eu posso controlar-me! Confia em mim! – garante e implora Luna, tão implacável na certeza que tenta transmitir à mãe, ainda que mal sucedida, olhando-a fatalmente nos olhos. – Eu sinto que vim ao mundo para algo mais… - confidencia, pensativa, procurando ainda respostas. – Agora que o pai e o Henrique desapareceram, eu sei, tenho a certeza, que posso ajudar sem arcar com consequências! Eu posso trazê-los de volta! Eu quero isso! – continua, deixando que a emoção tome conta de si.

 

Vendo uma invasão de tristeza e fúria no olhar da sua menina, Isabel cede à tentação de abandonar a postura rígida, para a abraçar com amor.

 

- E eu sinto que te podes perder… - declara, agarrando-a contra si. – Tenho medo que o teu poder, que o teu dom te consuma! – termina, abraçando-a com mais força, segurando lágrimas de preocupação.

 

Luna deixa-se descontrair perante o amor da mãe. É fácil perder-se no seu carinho. No fundo, dá-lhe razão. Mas, por outro lado, não consegue deixar de pensar na possibilidade de poder resolver todo o mal do mundo, seja de que forma for. - Será esse o seu destino? Tornar o mundo num lugar melhor? Acabar com as vinganças? Destruir toda a origem do mal? – A jovem ainda não sabe. Corresponde ao abraço da mãe, sentindo-se tranquila. Toda a confusão de sensações de há pouco, acabou de desaparecer.

 

É então que Beatriz decide finalmente confiar no amor de mãe e filha, e deixá-las sozinhas. Não conseguirá deixar de admitir que uma ajudinha por parte de Luna viria mesmo a calhar bem. Contudo, a verdade que a atormenta nisso, é realmente o perigo que Luna se possa vir a tornar. Andando de regresso ao interior do hotel, Beatriz relembra toda aquela atitude orgulhosa e suprema, toda aquela excentricidade, tanto poder exercido apenas pela vontade, tudo acumulado numa pessoa só. As dúvidas crescem.

 

- Beatriz, ainda bem que chegas! – profere Francisca com algum alívio presente numa postura preocupada.

 

Assim que dá entrada na sala do hotel, Beatriz repara que o jovem Pedro foi colocado no sofá, o mais confortável possível. Alice observa-o, calada, talvez preocupada, no sofá individual ao lado, enquanto Francisca se mantém ao lado do rapaz, segurando-lhe uma das mãos. Vasco, em pé, vem em sua direcção, explicando a situação.

 

- Não sei se eles tinham intenção de o matar, mas… - começa.

 

- Mas? – interrompe Beatriz, insistindo após a pausa indecisa de Vasco.

 

- Ele não reage, Beatriz! O quê que fazemos? – apressa-se Francisca, num pranto de desassossego.

 

- Eu não sei. – murmura para si mesma, aproximando-se do corpo inanimado de Pedro. - Já não sou líder, não sei se posso tomar essas decisões. – conclui.

 

- Só deixas de ser líder quando um substituto se apresentar! – contrapõe Vasco, impaciente com a situação e por Francisca, sabendo que sofrerá se algo acontecer ao rapaz.

 

Alice mantém-se calada. Ausente da conversa.

 

A talvez ainda líder chega junto de Pedro, tirando conclusões por si mesma.

 

Francisca não tira os olhos dela, sem nunca largar a mão do rapaz, esperando por uma solução.

 

- Ele está a morrer… - conclui Beatriz, inquieta pela situação. – Achas que ele já está preparado? – questiona, dirigindo-se a Francisca, esperando uma resposta positiva.

 

- Preparado para quê? – interroga Alice, mostrando que afinal estava atenta.

 

- Vamos transformá-lo? – tenta Vasco confirmar, dirigindo-se a Francisca e Beatriz.

 

Francisca olha uma última vez para Pedro. Nenhuma reacção. O seu batimento cardíaco cada vez mais fraco, inaudível. Os seus sentidos sobre-humanos não reagem a nada. Acha-o um jovem magnífico, meigo. Pedro é um dos filhos que nunca teve. Não pode deixá-lo partir.

 

Continua…

 

[Boa Noite! Espero que tenham gostado :D

 

AGRADEÇO QUE ME AVISEM CASO ENCONTREM ALGUM ERRO, SEJA ELE QUAL FOR.

 

DEIXEM A VOSSA OPINIÃO SOBRE O EPISÓDIO E TAMBÉM SOBRE O NOVO VISUAL DO BLOG (espero que tenham gostado)!

 

Bjs <3 a autora]

Publicado por luaverm2temporada às 22:15
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