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Lua Vermelha

Sugestão de 2ª e 3ª temporada por Cláudia Silva. Tipo Fanfiction.

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 55 – “Alegre Desejo de Perigo!”

Estou de volta e prometo novos e empolgantes episódios nas férias da Páscoa :D

Continuação…

 

Henrique aproxima-se imediatamente, ajoelhando-se brutalmente à sua frente, segurando-lhe o rosto entre as suas mãos.

 

A situação é real. Tão real que o próprio deseja que não fosse, ainda que por acaso isso implique que ambos por ali estivessem, tão perto, sem saberem um do outro…. Mas Afonso está mesmo ali. Agora com certeza já são dois imbatíveis irmãos Azevedo contra a insanidade daquele desconhecido lugar. Porquê, é outra questão. E que mais nenhum membro da família ali venha parar é um desejo.

 

- Afonso… – murmura em chamamento, numa voz que denuncia clara ansiedade e dúvida. – Olha para mim! – pede.

 

Afonso corresponde com a difícil tarefa de abrir os seus persistentemente belos olhos azuis, que não perdem o brilho eterno, retrato da sua alma, que não será nunca perdido na loucura.

 

- Henrique… - sussurra em resposta, com dificuldade, visivelmente impressionado com a credível realidade que a loucura lhe proporciona. – Estou mesmo a alucinar… - repete, com o desânimo de acreditar no surrealismo do momento, descaindo sobre si mesmo, sem forças.

 

- Se assim fosse, estarias a ver a Isabel… – resmunga Henrique, afinal, ele próprio em caso de alucinação, teria também uma principal preferência que não seria o irmão

 

Sarcástico, repreende-se de imediato posteriormente pelo uso desse seu dom nos piores momentos. O comentário foi tão óbvio como precipitado.

 

- Despacha-te. – pede Jasmine, numa voz tão suave que poderia facilmente ser esquecida num momento de menos adrenalina.

 

Mesmo atrás de Henrique, entre a porta do cubículo escuro e desumano, a vampira transmite a indicação que lhe foi dada por Brian, através do sinal de Victorious, este que ficou ainda mais atrás, mantendo-se no casebre de madeira, uns degraus acima deles, entre os fundos e o exterior.  

 

- Afonso, acredita… – insiste o rebelde, ignorando Jasmine com a razão de mal estar a suportar a desgraça que vê. – … estou aqui! – termina.

 

Nisto, Henrique revela uma pequena garrafa de água que trazia na mão o tempo todo, escondida estrategicamente ao lado si mesmo, conforme convinha, a qual Jasmine encontrou sabe-se lá onde, provavelmente ao lado daquelas excêntricas luvas vermelhas que exibe.

 

No limiar do que é considerado ser vivo, fraco, acorrentado, faminto, cheio de sede, Afonso corresponde ao gesto do irmão imediatamente e por instinto, apoiando o rosto numa das mãos do irmão, que o segura, enquanto bebe a água que este lhe oferece com a outra, cuidadosamente, para que nem uma gota seja desperdiçada.

 

Poucos instantes depois, o jovem consegue abrir os olhos já com alguma facilidade e respira também mais espontaneamente. No entanto, cruel óbvia realidade, apenas aquela e um pouco de luz não o tirarão dali e Henrique sabe disso. Voltará mais tarde, em algum momento, com um melhor plano.

 

- O que fazes aqui…? – questiona Afonso, colocando toda a sua força nas palavras, ainda com algumas incertezas sobre aquele encontro não passar de imaginação.

 

Caso assim o seja mesmo. Afonso consegue então imaginar as gargalhadas malévolas e inaudíveis, para si, de Joseph, ao seu lado, triunfante. - Mais vale nem pensar na hipótese.

 

- Fui raptado sem motivo… – relembra-lhe o vampiro, desejando que o irmão não esteja ali há tanto tempo quanto ele para que se possa lembrar, em vez de ficar a saber. – E tu, que fazes aqui? – intervém.

 

Mais uma lágrima desliza lentamente e com pesar pela face de Afonso.

 

- Vingança. – pronuncia num suspiro. – Coisas do passado. – completa, visivelmente triste num sorriso que tenta desvalorizar.

 

- Desculpem mas… - começa Jasmine, novamente apressando Henrique, que parece querer abusar da oportunidade.

 

- Foi bom ver-te, irmão… - segreda Afonso, depois de conseguir ouvir a vampira e entendendo a situação, esforçando-se por sorrir com sincera alegria a Henrique.

 

Compreensiva de mais até aqui, impaciente por necessidade, Jasmine entra na sala escura e agarra Henrique pelo braço, obrigando-o a levantar-se sem resistência.

 

- Eu volto! – garante o vampiro imediatamente, trocando o último olhar do momento com o irmão.

 

Um nó angustiante na garganta de Henrique acompanhá-lo-á pelo resto dos dias, até voltar ali. Não encontra motivos para ver Afonso ali, muito menos desumanamente tratado. Se há pessoa que não merece tamanha tortura é Alphonzo Stuart. Vingança? Quem poderá mais querer vingar-se dele, para além de Victor, que já morreu…

 

A pressão obriga-os a despachar-se. De preferência, sairão dali sem deixar rasto e evitarão a movimentação alheia e indesejada que parece existir no exterior.

 

Afonso, na perspectiva de quem fica, que viu na proximidade de Henrique razão para continuar a acreditar, interpreta agora pela sua saída, a fuga de uma nova esperança que lhe encheu o coração por segundos. Acaba por desejar não ter duvidado da loucura. Ser louco é óptimo quando não há alternativas.

 

 

Mantendo-se atenta, Luna ouve os conselhos calmos que Mais Antigo lhe vai dando, aproveitando a deixa para aliviar a dor e gerir todo um mundo de coisas que acontecem dentro de si.

 

O vampiro sabe que a está ajudar, é essa a sua intenção, mas não imagina sequer a quantidade poderosa de tranquilidade e segurança que lhe transmite.

 

Francisca regressa agora para junto deles, deixando que Vasco oriente o hotel e respectivos hóspedes curiosos e preocupados. A vampira agradece o gesto naturalmente, sentindo-se mais segura e menos ansiosa se estiver perto da sua querida Luna. Como sempre e para sempre enquanto estiver por aqui, a família será tudo.

 

- Onde estão a Beatriz e a Isabel? – questiona a vampira, mal chega, apercebendo-se que afinal não terá a maioria debaixo de olho.

 

- A primeira foi atrás da segunda, que saiu e não voltou! – responde espontaneamente Mais Antigo, rápido na informação e calmo na sua pronúncia, segurando o pano molhado com que alivia a febre da bela ao seu lado.

 

A vampira suspira, e um aperto enorme e mais intenso no seu coração aflige-a. Aproxima-se então de Luna, um anjo sofrendo sem culpa. Acaricia-lhe os cabelos compridos e ruivos, sussurrando-lhe palavras de apoio e carinho, como uma mãe sempre faz aos seus protegidos. – Onde está Isabel, afinal?

 

 

- Estás cada vez mais bonita!

 

Apressa-se a esclarecer cinicamente, ainda que não seja mentira nenhuma, aquela mulherzinha, seguindo o comentário do marido, parceiro em tudo e para quase tudo.

 

Isabel sente um arrepiante nojo deles.

 

- Que saudades… - continua o homenzinho, descarado, preparando-se para abraçar a sobrinha, repugnante, ignorando a sensação de medo que tem sobre silêncio dela.

 

Silêncio. Isabel permite-se a ficar em silêncio, evitando pronunciar as crueldades que lhe passam pela vontade no instante, até porque tem noção que o seu olhar estará a traduzi-las minimamente. E aquelas pessoas, a que chama de tios, continuam a ignorar. - Serão eles assim tão mais arrojados em barbaridades do que o quanto ela sente que é no momento?

 

- Afaste-se de mim! – ordena, num aviso ameaçador, evitando o abraço falso e desnecessário que adivinha angustiante.

 

- Que modos são esses?! – resmunga Filomena, achando-se no direito de repreender alguém. - Miserável.

 

- São os modos que ambos merecem! – acusa Isabel, esboçando um sorriso intensamente cruel e provocador que lembra uma outra pessoa.

 

Henrique.

 

Beatriz seguiu o rasto de Isabel facilmente - sempre foi a melhor em seguir rastos - e, olhando-a agora atentamente, não conseguindo nem intervir, nem afastar a ideia de que o deve fazer, teme aquele sorriso, presságio de confusão…

 

Aquele sorrir. O mesmo sorriso desafiador de Henrique, que ele tão unicamente traça no rosto em situações extremas de puro conflito, quando arma confusão ou a torna sua com toda a alegria do mundo… - Aquele alegre desejo de perigo! E o quanto ela sente saudades disso… - A vampira afasta imediatamente tais pensamentos…

 

Seguirá em frente, mantendo toda a sua atenção em Isabel, enquanto aproveita para revistar cada esquina exterior da casa, pressentindo sem enganos a presença de mais alguém por perto, alguém a mais, sendo a sua intuição a alertar para o quão estúpido seria aqueles dois delinquentes estarem ali, sozinhos, sem apoio extra.

 

Distanciada, ainda no limiar da floresta que rodeia a casa, salta do alto e velho muro musgoso que resiste ao tempo para denunciar outras vidas anteriores que o colocaram ali por algum motivo…

 

Numa volta veloz e discreta, acaba orgulhosa pelo seu sexto sentido. Obviamente, teria de haver mais alguém ali…

 

Continua…

 

[BOA NOITE! O que acharam??? Volto em breve :D

PS: Para evitar algum tipo problema, acho importante referir que, embora originalmente as fotografias que uso não sejam minhas, sou eu quem faz a edição de imagem para publicar no Blog. E espero que gostem das montagens, claro... :D

Bjs <3 a autora]

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Sinopse

Era uma vez um colégio cravado no coração da serra de Sintra. Entre mistérios e perigos, o regresso de uma antiga guerra e uma vida aparentemente normal de adolescentes, um vampiro com 186 anos apaixonou-se por uma humana de 17 que, apenas (e só por acaso!) é filha do mais temido caçador de vampiros de sempre, "Jaguar". Ora! Este é só o excêntrico início de todos os problemas que farão a vida valer a pena...! Deixas-te morder?!

Aviso

Todos os textos publicados neste blog são apenas uma sugestão de continuação da série de vampiros da SIC, "Lua Vermelha", ou forma de a recordar. No fundo, pretendo simplesmente homenagear a história, dando-lhe o seguimento que imagino/desejo que tivesse. Não tenho qualquer intenção de plágio, não o considero como tal, e por isso agradeço o respeito e a preservação dos direitos de autor. Afinal, isto é paixão, mas dá trabalho :D

O Blog

Nasceu em 2012, com uma sugestão (pouco profissional...:D) de 2ªtemporada para "Lua Vermelha", que teve o seu fim oficial no mesmo ano. Por gosto da autora (Cláudia Silva) e apoio dos leitores, o Blog chegou à 3ªtemporada, havendo ainda espaço para posts de homenagem à obra de ficção e aos atores, intitulados "VIDA DE VAMP", "VampAtual" e "MEMÓRIASdeVAMPIRO". Após o final da Fanfic, em Novembro de 2017, foi anunciado pela autora que o Blog continuaria online, e que ganharia mais duas colunas: "Tudo Certo com Lua Vermelha" e "Tudo Errado com Lua Vermelha". Tudo o que foi publicado anteriormente, continua online.

Respeito

Gostaria de alertar todos os leitores/seguidores do blog para a prática do respeito entre todos, para comigo (autora) e para com os criadores/produtores e atores de "Lua Vermelha". Infelizmente, comentários desagradáveis e ofensivos já foram deixados por alguns "anónimos", o que me levou à decisão de moderar a liberdade para comentar, sendo que as vossas opiniões precisam da minha permissão para serem publicadas no blog. Apenas exijo respeito! Se forem respeitáveis com as palavras, o vosso comentário aparecerá na página, garanto! Obrigado!

As Imagens

Afim de evitar algum tipo de constrangimento, creio ser importante referir que, originalmente, as imagens que utilizo no blog, referentes a "Lua Vermelha", não são de minha autoria. Os direitos pertencem à SIC, à SP Televisão, ao fotógrafo José Pinto Ribeiro... e avisem-me caso falte alguém! :D Contudo, saibam que não publico qualquer imagem sem a editar/modificar primeiro, tornando-os algo minhas e do blog. Espero que respeitem e, claro!, apreciem!

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