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Lua Vermelha

Sugestão de 2ª e 3ª temporada por Cláudia Silva. Tipo Fanfiction.

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 56 – “Controlo sobre a Vida e a Morte”

Continuação…

 

Uma súbita intenção maléfica de surpreender aquele evidente e indiscreto intruso, alheio ainda ao que está para lhe acontecer, invade a alma de Beatriz e expressa-se através de um natural sorriso de satisfação.

 

Aquele infeliz, pobre coitado, nem sabe o que o espera.

 

 

- Nós sabemos que cometemos erros… - começa Caetano, novamente.

 

Sabem que cometeram erros. Mas com certeza nem imaginam a repulsa que Isabel sente por eles, os seus únicos parentes vivos, a quem nem se atreve a chamar de família, pois aquelas coisas vivas à sua frente não são, nem de longe, algo que se assemelhe ao que ela conheceu ao lado dos pais quando era criança.

 

Ao lado de Afonso, enquanto estiveram juntos...

 

Adrenalina. Uma intensa adrenalina percorre o corpo de Isabel, como algo que substitui o sangue que lhe vai nas veias. E ódio. Um profundo ódio por aquelas pessoas. E saudade. Imensa saudade. E dúvida. Porquê que ele lhe escondeu coisas. Se realmente se amam, se estão casados, seria suposto que estivessem juntos na alegria e na tristeza, saúde e doença, em tudo! Porquê…

 

E para quê perder mais tempo com aqueles dois seres vivos cruéis e egoístas?!

 

- E é por isso que estamos aqui! Queremos o teu perdão! Tu és a nossa única família, Isabel! – completa Filomena, parva demais para perceber que está a levar o caminho errado, que se mete com a miúda errada.

 

- A mentira está estampada nas vossas caras… - diz, olhando-os malevolamente feliz, aproximando-se lentamente, com os braços tensos ao lado do corpo. – Eu odeio-vos tanto! – garante Isabel numa honestidade tremenda, sinceramente perigosa.

 

 

Concentrando-se no ataque silencioso que prepara, Beatriz, involuntariamente, acaba por deixar de prestar atenção ao diálogo entre Isabel e os tios, aqueles regressados criminosos, asquerosos.

 

Atraindo atenção, a vampira movimenta-se rápida entre os arbustos. Para seu agrado, o rapaz fica depressa perdido de susto, atordoado, questionando aquela presença que se manifesta, dando voltas e voltas sobre si mesmo, querendo ver tudo e não vendo nada.

 

Beatriz pára mesmo atrás dele, a apenas alguns metros de distância, triunfante. - Coitado, parece tão inexperiente… Um simples movimento alheio e já tão assustado! Se realmente estiver ali para proteger alguém, poderiam ter feito uma melhor escolha…

 

Ágil, certa de que é consideravelmente mais velha e mais poderosa, lança-se velozmente até ele, surgindo-lhe pelas costas. Quase imperceptivelmente, bloqueia-lhe os braços, impedindo um contra-ataque, e segura-lhe o rosto num gesto de total controlo da situação, que ameaça a quebra dum pescoço. Por fim, exige silêncio.

 

- Abres a boca, mexes um fio de cabelo … - enumera, num perigo murmurado. - … e acabo contigo!

 

Em pânico, o jovem sujeita-se imediatamente ao que lhe é exigido, evitando um conflito maior.

 

“Porquê eu?” – pensa James, vencido pelo poder daquela vampira que desconhece.

 

– Estás com os humanos? – questiona Beatriz.

 

Mais preocupado consigo mesmo do que com aqueles insignificantes a quem ficou de vigiar, James confirma, honesto para seu próprio bem.

 

- Sim. – sussurra, com cuidadoso esforço.

 

É então que Beatriz ouve um grito de puro ódio, emitido pela voz Isabel. Sozinha, acaba por ter o prazer de quebrar o pescoço sem necessitar de razões mais fortes para isso.

 

James desvanece, inanimado, nos braços da ex-líder.

 

Beatriz não o deixa cair, arrastando-o antes consigo, apressada mas cuidadosamente, com o mínimo de respeito ao medo e consequente honestidade do rapaz.

 

É o momento para voltar a concentrar-se em Isabel e no perigo que ela encarna. Beatriz não irá interceder para evitar o mal dos humanos, mas sim para evitar a loucura da jovem amada do seu “irmão” e o sentimento após um disparate tamanho como magoar, matar!, um humano.

 

 

Isabel está completamente alterada: olhos escuros que se confundem com o escuro da noite que se avizinha. Um negro que reflete apenas o brilho dos faróis do carro, atrás do casal.

 

Ah, como os odeia. Um tão simples ódio. Nada mais certo, nada mais real e profundo. Ninguém a pode julgar por isso. E ninguém a pode impedir de cometer uma loucura. Eles merecem e ela tem o direito.

 

- Querida, estás bem? – atreve-se Filomena, acreditando ter ali uma vampira, sim, uma vampira!, é o que lhe vem à mente. Afinal esta sabe mais sobre mundo do que devia.

 

- Não! – garante, num grito que cala qualquer outra voz e que os ameaça.

 

Num perfeito não lúcido limiar da sua raiva, Isabel atira-se ao pescoço da tia, empurrando-a bruscamente contra o carro, com uma força que imaginou ter, mas que nunca tinha testado.

 

Filomena implora pela vida apenas com um olhar esbugalhado, um rosto vermelho e um espernear estranho. Tão mísera e frágil, é a prova de que os seres mais malignos deste mundo têm fraquezas.

 

O seu silencioso pânico torna-o um imediato cobarde. O jeito com que se afasta lentamente, faz de Caetano o marido que ninguém merece, nem mesmo aquela mulherzinha que Isabel tenta eliminar.

 

Mas o pobre homem falha na sua tentativa medíocre de fuga. Isabel desconcentra-se da sua força imensa em acabar com Filomena apenas por alguns instantes, rápida e furiosa, agarrando Caetano pelo braço e atira-o impiedosamente contra as escadas da entrada de sua casa, mesmo atrás de si.

 

Silêncio. Para além do estrondo que o corpo ao embater nas escadas emite e o rasgo que Isabel consegue sentir que se abre na cabeça daquele homem, apenas silêncio. Há ainda o recupera de fôlego de Filomena, que nem um grito soltou pelo marido. Mas acima de tudo, silêncio.

 

Inesperadamente, Filomena vê a sobrinha investir novamente contra si e grita.

 

Não sabe se algum dia será capaz de o confessar a alguém, mas aquela sensação, a de ter o controlo sobre a vida e a morte de infames criminosos, agrada-lhe. Afonso também não lhe falou sobre isso… Isabel não tenciona parar. Não vai parar.

 

É pelo inconfundível cheiro de sangue que Beatriz percebe que chegou junto de Isabel tarde demais.

 

- Pára! – pede Beatriz, conseguindo ouvir através do fraco batimento cardíaco de Caetano a luta do homem pela vida. – Eles não merecem, Isabel! – grita, quando a vê esbofetear brutalmente a tia.

 

- Não merecem, Beatriz?! – questiona Isabel com incredulidade, nem dirigindo o olhar à vampira enquanto solta uma gargalhada nervosa e pára para olhar a sua vitima.

 

- Queres mesmo sujar as tuas mãos no sangue imundo deles? – replica, captando a sua atenção. – Tu não és assim… - lembra, com compreensão na vós.

 

- Eu quero que eles morram! – confia, ainda dirigindo um olhar negro de predador a Filomena, que estremece no chão, em frente ao carro, e com sangue a escorrer-lhe na testa.

 

- Já pensaste na paz que a morte lhes vai oferecer? – interroga a vampira, astuta, certa da sua intenção.

 

As suas palavras parecem manifestar sucesso. Beatriz vê como o olhar da amada de Afonso muda consoante o pensamento, sinal de que ouviu a questão e pondera sobre ela, bem ou mal.

 

A verdade é que tencionava acabar com a raça deles ali.

 

- É isso que queres para eles? – insiste Beatriz. - Paz?

 

Continua…

 

AMANHÃ: Uma nova rúbrica no Blog! - MEMÓRIASdeVAMPIRO

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Sinopse

Era uma vez um colégio cravado no coração da serra de Sintra. Entre mistérios e perigos, o regresso de uma antiga guerra e uma vida aparentemente normal de adolescentes, um vampiro com 186 anos apaixonou-se por uma humana de 17 que, apenas (e só por acaso!) é filha do mais temido caçador de vampiros de sempre, "Jaguar". Ora! Este é só o excêntrico início de todos os problemas que farão a vida valer a pena...! Deixas-te morder?!

Aviso

Todos os textos publicados neste blog são apenas uma sugestão de continuação da série de vampiros da SIC, "Lua Vermelha", ou forma de a recordar. No fundo, pretendo simplesmente homenagear a história, dando-lhe o seguimento que imagino/desejo que tivesse. Não tenho qualquer intenção de plágio, não o considero como tal, e por isso agradeço o respeito e a preservação dos direitos de autor. Afinal, isto é paixão, mas dá trabalho :D

O Blog

Nasceu em 2012, com uma sugestão (pouco profissional...:D) de 2ªtemporada para "Lua Vermelha", que teve o seu fim oficial no mesmo ano. Entretanto, por gosto da autora (Cláudia Silva) e apoio dos leitores, o Blog chegou à 3ªtemporada (melhor preparada do que a primeira...:D), havendo ainda espaço para posts de homenagem à obra de ficção e aos atores, intitulados "VIDA DE VAMP", "VampAtual" e, mais recentemente, "MEMÓRIASdeVAMPIRO". Tudo o que foi publicado anteriormente, continua online.

Respeito

Gostaria de alertar todos os leitores/seguidores do blog para a prática do respeito entre todos, para comigo (autora) e para com os criadores/produtores e atores de "Lua Vermelha". Infelizmente, comentários desagradáveis e ofensivos já foram deixados por alguns "anónimos", o que me levou à decisão de moderar a liberdade para comentar, sendo que as vossas opiniões precisam da minha permissão para serem publicadas no blog. Apenas exijo respeito! Se forem respeitáveis com as palavras, o vosso comentário aparecerá na página, garanto! Obrigado!

As Imagens

Afim de evitar algum tipo de constrangimento, creio ser importante referir que, originalmente, as imagens que utilizo no blog, referentes a "Lua Vermelha", não são de minha autoria. Os direitos pertencem à SIC, à SP Televisão, ao fotógrafo José Pinto Ribeiro... e avisem-me caso falte alguém! :D Contudo, saibam que não publico qualquer imagem sem a editar/modificar primeiro, tornando-os algo minhas e do blog. Espero que respeitem e, claro!, apreciem!

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