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Lua Vermelha

Sugestão de 2ª e 3ª temporada por Cláudia Silva. Tipo Fanfiction.

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 67 – “Hoje, eu. Amanhã, alguém.”

 

Continuação…

 

- Joseph! Joseph!

 

Ouve-se chamar. Alguém ali mais perto do que o próprio tinha entendido, implora por atenção, exibindo uma preocupação teatral.

 

- Estás a ouvir?!

 

Joseph mantém a sua postura indiferente enquanto expõe aos seus vampiros os principais problemas com que se poderão deparar lá fora, depois da mutação, e vai sugerindo métodos de auto-controlo, de defesa e, claro, de ataque rápido e silencioso. Mas obviamente, de indiferente a surdo, ainda vai uma boa diferença.

 

- Creio que aqui todos te ouviram,… - garante com arrogância, enquanto disfarça o facto de não se lembrar do nome do jovem… - André?! – lembra-se. – Provavelmente, até os vizinhos te ouviram! – insiste, com graça e desdém.

 

- Nós não temos vizinhos…! - comenta André, fazendo-se passar pelo parvo que não é, achando-se confuso e perdido.

 

O inglês solta um suspiro e dá-lhe atenção.

 

- What is it? – questiona Joseph, finalmente encarando-o.

 

André observa-o também por momentos, antes de falar, analisando-o secretamente, adivinhando a sua futura reacção, e esperando estar certo sobre ela.

 

- Notícias… ah… Eu li… - começa, gaguejando meio que propositadamente, mantendo-se intimidado sob a postura de um líder. – Os vampiros que tu deixaste fugir já… causaram mortos e feridos! – atira, surpreendo pela ousadia ao carregar ligeiramente na culpa de Joseph.

 

- Os vampiros que eu deixei fugir… - recapitula o vampiro, despeitado. - Não fosse essa tua acusação sem graça, e estaria saltando de alegria! – admite, num sorriso torto.

 

- Não te preocupa?! – pergunta um outro, ali presente.

 

- Sinceramente!... Acho que aprecio o pânico causado! – responde imediatamente. – O pânico trás desorganização, medos, fraquezas… - esclarece. – E o nosso trabalho ficará bem mais fácil! – termina, em provocação. – Pensando bem: eles fizeram-nos um favor!

 

- Pena que eles não tinham sido sequer preparados… - intervém o mesmo vampiro.

 

- Pena?! A falta de preparação vai torná-los vulneráveis! – esclarece Joseph, que parecer alterar o seu humor conforme a ocasião, tornando-se imprevisível. – Quando chegar a nossa vez de sair, ninguém vai saber como reagir perante a má surpresa…

 

Após um silêncio digno perante o raciocínio do vampiro, o grupo volta a concentrar-se na preparação.

 

André volta para as sombras. Como quem diz: discreto, atrás de todos, para junto de Akira e Sandro. Em território movediço, os três esperam o momento certo. Os três, acham-se preparados para a inevitabilidade da personalidade bipolar de Joseph, e acreditam que encontraram o momento perfeito, o mais vulnerável, para agir. Em breve.

 

 

Acredita que não há necessidade de preocupar alguém, ciente de que mal se saiba que está a passar mal, todos virão acudi-la, mas Luna realmente precisa de apoio.

 

Já há algum tempo que se mantém deitada no chão frio, apreciando a sensação de frescura contra o calor que sente, e desde então algumas dores acalmaram, dor que nem sabe de onde vem. No entanto, continua a sentir um corrimento fino e persistente de sangue pelo nariz.

 

Para se distrair, a ruiva arranha o tapete debaixo de si, com as unhas das mãos, ritmadamente, tentando não falhar as pausas e os retornos. É relaxante. Seria ainda mais se a dor desaparecesse, se o sangue parasse de escorrer, e se conseguisse voltar a conectar-se com o pai. Seria tudo perfeito, se as coisas acontecessem como desejaria que fosse.

 

É então que começa a chorar em silêncio novamente.

 

Tanto poder vindo de algures, tanta sensibilidade, tanto amor, tanto ódio às vezes… E nada! Na verdade, pensando sobre isso, é nos momentos de ódio e descontrolo que tudo cai aos seus pés, da forma como exige.

 

Será isso? Será que, ao contrário do que dizem, o amor, a família, o controle, a discrição… Será que está tudo errado?

 

Em pânico, com raiva de si mesma, começa a soluçar enquanto chora, cada vez mais ruidosa, sem forças para parar.  

 

- Pai! – grita, obrigando-se, severa consigo, a domar o que a natureza lhe conferiu.

 

Grita mais alto ainda, vezes sem conta. Chora. Esperneia. Já rasgou um pedaço do tapete, sentindo os fios entre os dedos. Grita mais. E odeia-se. Odeia tudo.

 

Qualquer coisa feita de vidro começa a tilintar no quarto. Na verdade, várias coisas estremecem ali, e Luna nem perde tempo para ver se são copos, candeeiros, jarros ou lá o que seja. Alguma coisa cai no chão, e alguns pedaços de porcelana chegam junto à sua cabeça.

 

Ainda bem que o hotel está fechado, e deserto. Assim ninguém presenciará o momento, nem influenciará as suas escolhas.

 

 

Há uma eternidade (parece-lhe!) que busca alguma criatura escondida nas sombras desejosa e sedenta para a atacar.

 

Francisca, que é vampira, admite para si mesma, no silêncio do seu pensamento, a tamanha absurdez da situação.

 

O mundo e a vida são surpreendentes. As coisas mudam. E às vezes não se pode fazer nada contra.

 

É sempre mais fácil pensar na ascensão, tomando-se como normal e perfeitamente acertado que os vulneráveis se tornem poderosos. Neste caso, que as presas se tornem predadores.

 

Agora, aceitar que o amanhã seja imprevisível e que os mais temidos predadores desçam ao nível de miseráveis, por mais natural que também o seja, é difícil admiti-lo.

 

Francisca já viu tanta coisa acontecer durante o seu mais de um século de vida. Foi feliz, e isso é a única coisa que deseja para si e para todos. O espírito da Guerra, da desconfiança, da maldade, nunca a conquistou e pensar que… que…

 

Aquela sensação a que se costuma apelidar de “mania da perseguição”, atingiu Francisca a meio do seu pensamento e das suas recordações. Certifica-se da distância a que está do próximo vampiro, Beatriz, e do anterior, Vânia, e volta sentir-se observada, sentindo uma presença estranha, mais perto de si, demasiado perto.

 

- Não… Eu não… - murmura, desejando ter-se aproximado, sem querer, do território de Beatriz, ou de Vânia.

 

Consciente de que não está sozinha, a vampira agarra com mais força o punhal que trouxe consigo, enquanto pensa em quem mais ama e sobre como as coisas realmente mudam! Os vampiros nem nunca precisaram de armas e, agora… Todos estão acompanhados de uma.

 

- Quem…? Está aí?

 

Francisca perguntou, confirmando a sua sensação quando ouviu passos ponderados em direcção a si. No mesmo instante, permaneceu quieta, ciente de que algum monstro está nas costas, e temendo que ele lhe seja mais familiar do que deseja… Por outro lado, e se for mesmo?! Talvez nem sequer deva ter medo, e simplesmente abraçar quem finalmente regressa…

 

O impasse da vampira, que não consegue identificar quem a precede assustadoramente, é interrompido por um rosnar leve da criatura, e que a faz agir e usar o punhal, finalmente.

 

Mas quando se vira e o encara, ferido pelo punhal no rosto…

 

Em cem anos, Francisca entende verdadeiramente e da forma mais cruel que poderia imaginar, o significado imprevisível da mudança, e a razão porque temer o amanhã.

 

Continua…

 

 

[BOA NOITE! Espero que tenham gostado... :D Do episódio e do novo visual do Blog! (ainda faltam uns pequenos pormenores, mas já estou feliz com o resultado... :D)

Deixem a vossa opinião :D

PS: Dia 24 haverá uma Super Lua, e dia 28 ocorrerá uma Lua Vermelha (de Sangue), vão ver??? Eu vou :D

 

Bjs <3 a autora]

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Sinopse

Era uma vez um colégio cravado no coração da serra de Sintra. Entre mistérios e perigos, o regresso de uma antiga guerra e uma vida aparentemente normal de adolescentes, um vampiro com 186 anos apaixonou-se por uma humana de 17 que, apenas (e só por acaso!) é filha do mais temido caçador de vampiros de sempre, "Jaguar". Ora! Este é só o excêntrico início de todos os problemas que farão a vida valer a pena...! Deixas-te morder?!

Aviso

Todos os textos publicados neste blog são apenas uma sugestão de continuação da série de vampiros da SIC, "Lua Vermelha", ou forma de a recordar. No fundo, pretendo simplesmente homenagear a história, dando-lhe o seguimento que imagino/desejo que tivesse. Não tenho qualquer intenção de plágio, não o considero como tal, e por isso agradeço o respeito e a preservação dos direitos de autor. Afinal, isto é paixão, mas dá trabalho :D

O Blog

Nasceu em 2012, com uma sugestão (pouco profissional...:D) de 2ªtemporada para "Lua Vermelha", que teve o seu fim oficial no mesmo ano. Entretanto, por gosto da autora (Cláudia Silva) e apoio dos leitores, o Blog chegou à 3ªtemporada (melhor preparada do que a primeira...:D), havendo ainda espaço para posts de homenagem à obra de ficção e aos atores, intitulados "VIDA DE VAMP", "VampAtual" e, mais recentemente, "MEMÓRIASdeVAMPIRO". Tudo o que foi publicado anteriormente, continua online.

Respeito

Gostaria de alertar todos os leitores/seguidores do blog para a prática do respeito entre todos, para comigo (autora) e para com os criadores/produtores e atores de "Lua Vermelha". Infelizmente, comentários desagradáveis e ofensivos já foram deixados por alguns "anónimos", o que me levou à decisão de moderar a liberdade para comentar, sendo que as vossas opiniões precisam da minha permissão para serem publicadas no blog. Apenas exijo respeito! Se forem respeitáveis com as palavras, o vosso comentário aparecerá na página, garanto! Obrigado!

As Imagens

Afim de evitar algum tipo de constrangimento, creio ser importante referir que, originalmente, as imagens que utilizo no blog, referentes a "Lua Vermelha", não são de minha autoria. Os direitos pertencem à SIC, à SP Televisão, ao fotógrafo José Pinto Ribeiro... e avisem-me caso falte alguém! :D Contudo, saibam que não publico qualquer imagem sem a editar/modificar primeiro, tornando-os algo minhas e do blog. Espero que respeitem e, claro!, apreciem!

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