Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Lua Vermelha

Sugestão de 2ª e 3ª temporada por Cláudia Silva. Tipo Fanfiction.

Lua Vermelha – 3ªtemporada - Episódio 51 – “Your Memories”

 

Continuação…

 

A memória é como um sonho. Intocável. Ou como um pesadelo. Demasiado real e angustiante. E, muitas vezes, é a memória que nos define.

 

Aquele jeito convicto e malévolo com que vampiro desliza lentamente a lâmina do punhal, que outrora pertencia a Jaguar, rasgando levemente a pele do seu pescoço…

 

Instantaneamente, numa crueldade inevitável do próprio ser, os gritos dela invadem-lhe o pensamento, assim como o desolador instante em que a viu cair aos pés de Joseph, sem vida, consumida pela frieza da morte…

 

 

Mary Jane era doce, amável, inocente, ainda assim uma vampira. Morreu porque conquistou o amor de Alphonzo. - Joseph não suportou ver os seus planos destruídos, mais uma vez, pelos planos idiotas de um amor incondicional. - Mary Jane era uma das suas melhores criações e Alphonzo roubou-a. Após isso, Joseph já não sentia que Mary Jane poderia realmente ser leal ao que viria a organizar para ela.

 

 

Afonso demorou anos para conseguir controlar o ódio e a tristeza. Tais imagens de uma morte causada impiedosamente e sem justificações aceitáveis – se é que uma morte é alguma vez moralmente aceitável!... -, não lhe saíam do pensamento e magoavam-lhe a alma.

 

No entanto, não é exactamente essa a memória que Joseph pretende recuperar dos mais profundos confins da consciência de Alphonzo.

 

Expressando imediatamente uma intensa raiva no olhar e um tamanho desespero que pensava já ter sob controlo há muito tempo, Afonso parece adivinhar que a memória reavivada da morte de Mary Jane, é apenas e só um pretexto bem aproveitado por Joseph para chegar às outras mortes

 

Outras mortes… Também inacreditavelmente causadas por Alphonzo. O velho e descontrolado, impiedoso e infeliz Alphonzo Stuart. – Afonso lutou tanto contra esse seu próprio ser, e agora…

 

- Indeed, what I did to your beloved Mary Jane, which was because of you, was nothing comparing to what you did with all those innocent humans… - o vampiro introduz o verdadeiro assunto que tem ali para tratar, finalmente, tão pouco consciente da maldade, tão fatal no seu inglês perfeito. - Have you ever told your family about your past…? How many you killed? How many innocent human lives you take? – Joseph sorri sem vontade, apenas por provocação, segurando-lhe os cabelos com cada vez mais força e mantendo o punhal no seu pescoço.

 

O esforço de Joseph por conseguir o que quer, - o sofrimento constante e interminável daquele desgraçado – é notável. Sem dúvida que, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos empenho, as suas expectativas serão correspondidas.

 

Afonso luta contra si mesmo.

 

Os pensamentos são incontroláveis e as memórias, quando mencionadas, são impossíveis de manter fora de alcance.

 

Mesmo assim, o jovem não pensa desistir. As consequências poderão ser devastadoras para todos, caso as suas recordações de um passado intolerável regressem e o deixem tal como aquele vampiro miserável pretende, fora de controlo…

 

Arrepende-se furtivamente de ter algum dia construído no passado tais memórias. Se houvesse alguma forma de apagar tudo…

 

Enquanto Afonso tenta concentrar-se em manter-se abstraído do ambiente e do momento, Joseph continua a falar. Por mais que se esforce, é totalmente impossível não ouvir as palavras do vampiro, e não recordar os nomes, as caras, as pessoas…

 

Afonso experimenta então trocar culpa e arrependimento por ódio. – Ódio a Joseph e à sua tentativa, ainda não fracassada, de o separar da família, de lhe tirar a família… - Depois, a necessidade, a vontade de saltar dali imediatamente, libertar-se brutalmente daquelas correntes, respirar ar puro, ver o brilho do sol e sentir a energia mística da Lua, recuperando forças e acabando com o problema de uma vez por todas, matando Joseph… Matando-o… Tal como fez com aquelas vidas inocentes, quando nada mais havia para viver, quando o amor parecia ter acabado no mundo e a sua existência não fosse mais que uma monstruosidade fatal às suas vítimas… Essa vontade, é destruída pela capacidade de se afastar do que é mau, e sabe que é mau…

 

- Eles não eram assim tão inocentes… - murmura Afonso, com uma voz pesada e um olhar novamente dirigido a Joseph. – Posso ter morto dezenas de inocentes, mas foram muitos mais os que salvei! – impõe, empenhando-se em demonstrar confiança e razão.

 

Joseph lança uma gargalhada sinistra, fazendo-a acompanhar-se por um olhar cheio de uma pena repugnante, afastando o punhal do pescoço do prisioneiro e soltando-lhe os cabelos.

 

- Tem piada! – garante, ainda a rir contagiosamente. - Essa é a desculpa que todos os assassinos pobres de espírito e afogados em remorsos usam! – a sua mudança repentina para o idioma português, sugere tão simplesmente a proximidade enfadonha, e ainda assim elegante, que Joseph pretende ter em relação a Jaguar, em relação a Isabel, portanto.

 

Afonso amolece, sem forças, deixando que o seu rosto encare o chão.

 

Por mais que evite, Afonso não consegue deixar de repetir mentalmente a palavra “assassino” na sua mente, aceitando-a como verdadeira em relação a si. – Não! Não! Não! – Repete agora, obrigando a que a sua consciência se mantenha firme. – O que será se elas souberem… Eu não posso! Não sou um assassino! Não! Não! Não!

 

Mas Joseph é demasiado teimoso, persistente nos seus objetivos…

 

- Quantos foram antes da bela Mary Jane? – questiona, manobrando o punhal de prata, místico. – E quantos depois? – insiste, abaixando-se perante o rapaz e reerguendo-lhe o rosto para si. – How many? – aquele sotaque fatal, novamente.

 

Afonso não responde. Aparentemente indiferente. Realmente afectado, recordando todos. Um por um.

 

- You took Mary from me, and I couldn’t protect and train someone who wasn’t mine anymore… - o vampiro sabe bem o efeito que aquele seu idioma natural e a conversa feita pode vir a ter.

 

Com Mary Jane, novamente, no seu pensamento, Afonso precisa de, no mínimo, defender a integridade da falecida.

 

- Ela não te pertencia… - responde necessariamente, com todas as suas forças concentradas numa voz trémula, repleta de razão, mas sem forma para a transmitir. – Ninguém aqui te pertence! – atreve-se a provocar.

 

Instantaneamente, consequência das palavras ousadas que ouviu, uma ansiedade percorre-lhe o corpo. Joseph é desafiado pelo confronto inevitável entre o que deseja e a incerteza de o vir ter. Ódio é tudo o que lhe surge no olhar. Pena é o que não sente por Alphonzo. – Ele teve tudo. Alphonzo teve tudo o que um dia Joseph desejou ter.

 

Tomado por uma acção impensada, Joseph aperta bruscamente o punhal de Jaguar na sua mão, protegida por uma luva preta, e numa fracção de nada dirige-o ao peito de Alphonzo.

 

O vampiro, para mal do seu cada vez mais crescente ódio, sabe muito bem que Alphonzo não morrerá. Nem que meia dúzia de punhais de prata como aquele, o firam com a mesma violência.

 

Mas Alphonzo, não importa o quão diferente e protegido pela natureza seja, é um ser deste planeta e, como tal, pode ser tão adequadamente frágil como todos os outros.

 

Sangue começa a jorrar-lhe pelo peito. A t-shirt é manchada por um vermelho vivo. – É só mais um ser vivo! – Um grito arquejante de dor ecoa com toda a força dos seus pulmões. – E sofre como todos os outros!

 

Joseph pode não ter a honra de matar Alphonzo. Mas terá o prazer de o torturar por uma eternidade.

 

Continua…

 

[Boa Noite! - Gostaram? - BREVEMENTE: EPISÓDIO 52 - "Amor e Consequências" - Curiosos?

Bjs <3 a autora]

2 comentários

Comentar Post

Aviso

Todos os textos publicados neste blog são do género FANFIC, ou seja, apenas uma sugestão de continuação da série de vampiros da SIC, "Lua Vermelha", ou forma de a recordar. No fundo, pretendo simplesmente homenagear a história, dando-lhe o seguimento que imagino/desejo que tivesse. Não tenho qualquer intenção de plágio, não o considero como tal, e por isso agradeço o respeito e a preservação dos direitos de autor. Afinal, isto é paixão, mas dá trabalho :D

Pesquisa Aqui

 

Respeito

Gostaria de alertar todos os leitores/seguidores do blog para a prática do respeito entre todos, para comigo (autora) e para com os criadores/produtores e atores de "Lua Vermelha". Infelizmente, comentários desagradáveis e ofensivos já foram deixados por alguns "anónimos", o que me levou à decisão de moderar a liberdade para comentar, sendo que as vossas opiniões precisam da minha permissão para serem publicadas no blog. Apenas exijo respeito! Se forem respeitáveis com as palavras, o vosso comentário aparecerá na página, garanto! Obrigado!

O Blog

Nasceu em 2012, com uma sugestão (pouco profissional...:D) de 2ªtemporada para "Lua Vermelha", que teve o seu fim oficial no mesmo ano. Por gosto da autora (Cláudia Silva) e apoio dos leitores, o Blog chegou à 3ªtemporada, havendo ainda espaço para posts de homenagem à obra de ficção e aos atores, intitulados "VIDA DE VAMP", "VampAtual" e "MEMÓRIASdeVAMPIRO". Após o final da Fanfic, em Novembro de 2017, foi anunciado pela autora que o Blog continuaria online, e que ganharia mais duas colunas: "Tudo Certo com Lua Vermelha" e "Tudo Errado com Lua Vermelha". Tudo o que foi publicado anteriormente, continua online.

Sinopse

Era uma vez um colégio cravado no coração da serra de Sintra. Entre mistérios e perigos, o regresso de uma antiga guerra e uma vida aparentemente normal de adolescentes, um vampiro com 186 anos apaixonou-se por uma humana de 17 que, apenas (e só por acaso!) é filha do mais temido caçador de vampiros de sempre, "Jaguar". Ora! Este é só o excêntrico início de todos os problemas que farão a vida valer a pena...! Deixas-te morder?!

As Imagens

Afim de evitar algum tipo de constrangimento, creio ser importante referir que, originalmente, as imagens que utilizo no blog, referentes a "Lua Vermelha", não são de minha autoria. Os direitos pertencem à SIC, à SP Televisão, ao fotógrafo José Pinto Ribeiro... e avisem-me caso falte alguém! :D Contudo, saibam que não publico qualquer imagem sem a editar/modificar primeiro, tornando-os algo minhas e do blog. Espero que respeitem e, claro!, apreciem!

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D